Presidente Lula se pronuncia sobre envolvimento do filho, Lulinha, em investigação da Polícia Federal e compara com sua própria experiência na Lava Jato.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) revelou ter cobrado explicações de seu filho, o empresário Fábio Luís, conhecido como Lulinha, sobre o suposto envolvimento em um esquema bilionário de fraudes contra aposentados e pensionistas. Lulinha foi mencionado pela Polícia Federal como um possível sócio oculto de Antônio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apontado como operador do esquema.
Em entrevista ao UOL, Lula afirmou que conversou diretamente com o filho: “Eu chamei meu filho aqui, e eu falo isso para todo mundo: olhei no olho e disse que só você sabe a verdade. Se você tiver alguma coisa, você vai pagar o preço. Se não tiver, se defenda”. O presidente enfatizou que trata essas questões com muita seriedade.
Lula não detalhou as explicações dadas por Lulinha, mas fez um paralelo entre as acusações contra o filho e sua própria experiência com a Justiça durante a Operação Lava Jato, quando chegou a ser preso em 2018. Ele reiterou que se sentiu injustiçado na época e que sua decisão de permanecer no país e enfrentar o processo foi para provar sua inocência, o que culminou na anulação de suas condenações e na recuperação de seus direitos políticos.
Lula compara situação do filho à sua própria experiência na Lava Jato
O presidente comparou a situação atual envolvendo Lulinha com as acusações que ele mesmo enfrentou. Lula relembrou sua prisão em 2018, durante as investigações da Operação Lava Jato, e afirmou que foi vítima de uma injustiça. Ele mencionou ter recebido propostas para deixar o país, mas optou por ficar e lutar por sua inocência.
“Quando eu decidi ficar aqui e ir para a Polícia Federal [cumprir pena] é porque eu queria desmascarar o que foi feito comigo”, declarou Lula. O presidente também expressou a esperança de que, no futuro, parte da imprensa brasileira tenha a coragem de pedir desculpas pelas “mentiras” e pelo “endeusamento” de algumas figuras que, segundo ele, “hoje não vale nada”.
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Presidente defende seriedade e justiça no tratamento de acusações
Lula reforçou que o processo que respondeu foi uma “falcatrua”, levando o Supremo Tribunal Federal (STF) a anulá-lo e a determinar investigações sobre a 13ª Vara Federal de Curitiba, responsável pelos casos da Lava Jato. Ele ressaltou que “não tem dó e nem piedade” e que quem trabalha com ele sabe de sua conduta.
“Só há um jeito de você não ser molestado, é fazer as coisas direito”, pontuou o presidente, deixando clara sua posição sobre a importância da retidão e da legalidade. Ele sinalizou que espera que Lulinha se defenda adequadamente, caso seja inocente, ou arque com as consequências, se houver irregularidades.

Lulinha não é investigado diretamente, mas surge em conexão com esquema do INSS
É importante notar que Lulinha não é investigado diretamente por participar do esquema de fraudes do INSS. Sua menção surge a partir de uma amiga, a empresária Roberta Luchsinger, que seria sócia em negócios de cannabis medicinal com o filho do presidente e buscava firmar contratos com o governo federal. Essa conexão levantou questionamentos e levou à cobrança de explicações por parte de Lula.
A defesa de Fábio Luís Lulinha tem negado qualquer irregularidade, classificando as menções a ele como “ilações” políticas. No entanto, partidos da oposição têm afirmado que a base governista tenta blindar o empresário das investigações, especialmente no contexto de pedidos de convocação para depor em uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI).
Críticas da oposição e defesa de Lulinha
A oposição tem criticado o que considera uma tentativa de blindagem de Lulinha nas investigações. Pedidos para que o empresário compareça à CPMI já foram feitos, e o caso tem gerado debates sobre a interferência política em apurações. A defesa de Lulinha, por sua vez, mantém a posição de que não há fundamento nas acusações.
O presidente Lula, ao abordar o tema, buscou demonstrar firmeza e transparência em sua relação com o filho e com as instituições. Sua fala reflete a importância que ele dá à reputação e à necessidade de que todos, incluindo seus familiares, respondam por seus atos perante a lei, caso haja comprovação de irregularidades.
Fonte Gazeta do Povo










