Irmãos de Toffoli envolvidos em segundo resort de luxo no Paraná; empreendimento é alvo de investigação
Os irmãos do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), José Eugênio Dias Toffoli e José Carlos Dias Toffoli, estiveram envolvidos na sociedade de um segundo resort de luxo no Paraná. Além do empreendimento em Ribeirão Claro, que já está sendo investigado por ligações com fundos de investimentos ligados ao cunhado do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, os irmãos também participaram do Tayayá Porto Rico.
O Tayayá Porto Rico, que ainda não foi concluído, é projetado para ser ainda mais luxuoso que o primeiro resort da rede. A divulgação pública do empreendimento o apresenta como uma parceria entre o empresário Patrick Ferro e o apresentador Ratinho. No entanto, documentos obtidos pelo Estadão revelam a participação dos irmãos Toffoli.
Essas novas informações surgem em um momento em que o primeiro resort da rede Tayayá, em Ribeirão Claro, já está sob escrutínio. Funcionários relataram que o ministro Dias Toffoli seria o proprietário, o que adiciona uma camada de complexidade às investigações em curso. Conforme informações divulgadas pelo Estadão, os irmãos José Eugênio e José Carlos detiveram 18% do Tayayá Porto Rico entre 2021 e 2025, participação vendida em fevereiro do ano passado.
Participação Societária e Representação da Maridt S/A
Os irmãos José Eugênio e José Carlos Dias Toffoli atuaram no negócio do Tayayá Porto Rico como representantes da empresa Maridt S/A. Esta mesma empresa já havia sido sócia do primeiro resort da rede, em Ribeirão Claro. Documentos da Junta Comercial do Paraná confirmam a participação formal de ambos nas decisões societárias.
Há registros de assembleias com assinatura de próprio punho do padre José Carlos Dias Toffoli, evidenciando seu envolvimento formal no empreendimento. A Maridt S/A tem sua sede registrada na residência do casal José Eugênio e Cássia Pires Toffoli. A esposa do engenheiro, Cássia Pires Toffoli, em declarações anteriores, disse desconhecer a participação do marido no resort de Ribeirão Claro, contrastando com o volume financeiro envolvido nos negócios.
Respostas e Declarações dos Irmãos Toffoli
Diante das novas apurações, José Eugênio Dias Toffoli afirmou que “todas as informações se encontram devidamente declaradas pela empresa Maridt em suas declarações anuais para a Receita Federal do Brasil”. Por outro lado, José Carlos Dias Toffoli respondeu de forma mais sucinta, dizendo: “vocês estão extrapolando”. O ministro Dias Toffoli não se pronunciou sobre o assunto.
A situação financeira da residência onde funciona a sede da Maridt S/A, descrita como simples, levanta questões sobre a origem e a declaração dos valores envolvidos nos empreendimentos. “Moço, dá uma olhada na minha casa. Você está vendo a situação da minha casa? Eu não tenho nem dinheiro para arrumar as coisas da minha casa!”, disse Cássia Pires Toffoli em declarações anteriores ao Estadão.
O Grandioso Projeto do Tayayá Porto Rico e a Venda da Participação

O Tayayá Porto Rico promete ser um complexo imponente, com previsão de construção de 240 apartamentos e 300 casas, algumas com mais de 300 metros quadrados. O empreendimento está localizado em São Pedro, divisa do Paraná com Mato Grosso do Sul, próximo à cidade de Porto Rico. A escala do projeto foi evidenciada em um evento de lançamento de uma das etapas, que reuniu mais de 1,5 mil pessoas e contou com show do cantor Seu Jorge.
Parte da participação dos irmãos no primeiro resort, avaliada em R$ 6,6 milhões, foi negociada com fundos ligados ao pastor e empresário Fabiano Zettel. Ele é cunhado de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, reforçando o valor financeiro expressivo envolvido nos empreendimentos da rede Tayayá no Paraná.
Investigações do Ministério Público e Liminares Judiciais
As obras do Tayayá Porto Rico também chamaram a atenção do Ministério Público Federal (MPF). O MPF tentou barrar o projeto sob a alegação de que a construção avançava sobre área de preservação permanente. A Justiça chegou a suspender o empreendimento, mas a disputa foi resolvida por meio de um acordo.
O acordo permitiu a liberação do resort após a realização de mudanças no projeto. Essas alterações visaram evitar impactos em áreas protegidas, conforme determinado pelas autoridades ambientais e judiciais. A situação levanta questões sobre a fiscalização e o licenciamento de grandes empreendimentos imobiliários no estado.










